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Bairro Alto, notas soltas

O Bairro Alto tem características muito vincadas. Embora as suas origens remontem ao século XVI, foi com o terramoto de 1755 que o Bairro se desenvolveu, à custa das novas construções que a Fidalguia, desalojada dos seus Palácios em ruínas, mandou edificar nas ruas em quadrícula recentemente desenhadas.
Ao longo dos séculos, muitas transformações se deram no Bairro. No entanto, ainda hoje se descobre um sem-número de vestígios do passado que merecem ser assinalados.

Nada melhor do que um levantamento ordenado e sistemático do Bairro para revelar os seus detalhes mais preciosos.
(bibl. "Bairro Alto - Tipologias e Modos Arquitectónicos", Hélder Carita, C.M.L. 1994)


Travessa da Água da Flor:
Séria candidata ao arruamento com o nome mais bonito de Lisboa, a Travessa da Água-da-Flor, " embora devesse existir desde a formação do Bairro Alto, só a vemos mencionada com este nome nos registos paroquiais, em 1666, Travessa da Agoa de Frol, forma ainda usada em 1691". (Luís Pastor de Macedo "Lisboa de Lés-a-Lés")



Rua da Atalaia:
"A Rua da Atalaia, onde ainda sobrevive o pitoresco do sítio, no semblante dos edifícios, nos prediozinhos cor de rosa de ressalto e empena de bico, nos velhos palácios adormecidos sem fidalgos, com a sua nota de poesia e cor nos canteiros floridos das sacadas, com o seu tumulto, os seus pregões, e as suas travessas e botequins." (Norberto de Araújo, "Peregrinações em Lisboa" vol.VI)












antigo Palácio do Visconde do Rio Seco







Rua da Barroca:
A Rua da Barroca é um dos primeiros arruamentos a ser rasgado, no século XVI, na velha herdade dos Andrades (dita Vila Nova de Andrade), a qual, devido ao estabelecimento dos frades de São Roque no local, adoptará o nome de Bairro Alto de São Roque. Almeida Garrett morou no nº 46 a partir de 1839, após a sua separação conjugal.








varandins primitivos do séc. XVIII ainda com reixas (grades de madeira)

Travessa da Boa-Hora:
"Nos meados do século XVI, esta ou a Travessa da Água da Flor seria a «traveça q vay da portaria de san roq pª a rua datalaia». Em 1649 aparece pela primeira vez a Travessa da Boa-Hora e o Sítio de Nossa Senhora da Boa-Hora. Depois, até hoje, a travessa manteve sempre o mesmo nome." (Luís Pastor de Macedo "Lisboa de Lés-a-Lés")
A sua designação deriva "de uma Ermida de Nossa Senhora da Conceição e da Boa Hora que existiu à esquina da Rua da Rosa" (Norberto Araújo "Peregrinações em Lisboa")


edifícios do séc. XVI




a chaminé da Igreja de São Roque

Cunhal das Bolas:
"Passos andados na direcção da Rua Luz Soriano e logo passada a estreita Calçada do Cabra, encontramos, num pequeno largo, em cotovelo recto, o Hospital de S.Luiz (dos franceses), no prédio que encosta à Rua da Rosa, e no qual existe o famoso «Cunhal das Bolas». Eis uma curiosidade da Lisboa de seiscentos no Bairro Alto: este enigmático Cunhal, ou, melhor, cunhais, pois são dois, cada um na sua esquina do edifício na face da pequena serventia que liga as Ruas Luz Soriano e da Rosa. O do lado da Rua da Rosa é mais alto e completo; o outro reduz-se a um pequeno troço da pilastra. Ambos são coroados por cornija, devendo primitivamente terminar nela a altura da Casa; o feio acréscimo sobre os cunhais é recentíssimo e de mera utilidade. São revestidos de meias-esferas em relevo, as quais uma tradição fantasiosa diz terem sido...de ouro!, o que leva a admitir a hipótese de haverem recebido patina de cor amarela. Uma outra lenda diz que a Casa, na sua origem mais remota, fora erigida por um judeu rico, que assim nos cunhais de relevo quisera imitar a Casa dos Bicos à Ribeira Velha." (Norberto de Araújo, "Peregrinações de Lés a Lés" vol.VI)





Rua dos Caetanos:
É um topónimo que advém da Igreja dos Caetanos. Consta como «traveça dos Caetanos» em descrições paroquiais anteriores ao Terramoto de 1755.




Conservatório Nacional

Travessa da Cara:
Desconhece-se a origem do topónimo. No entanto, "os registos paroquiais da antiga freguesia do Loreto indicam-na, com a classificação de rua, em 1622, mas é de presumir que a sua existência remonte à formação do Bairro (Alto). Em 1725 estava nesta artéria a «infirmaria do S.r Patriarcha».” (Luís Pastor de Macedo "Lisboa de Lés-a-Lés")



Travessa do Conde de Soure:
"Este sítio, antes do Terramoto ainda era, em grande parte, de terra de semeadura, «aos Moinhos de Vento». O palácio mais antigo que aqui existiu – com fundo num velho solar fidalgo dos fins do século XVI – foi o dos Condes de Soure, cujo pátio nobre era exactamente nesta serventia, ocupada agora por este prédio enorme, e que faz o ângulo recto da Rua da Rosa à Travessa. Teve história: foi a aqui o famoso «Teatro do Bairro Alto», e o «Pátio da Ópera». Desde 1570, pelo menos, erguia-se um solar rústico onde vivia uma Joana de Faria que casou com um João da Costa, “o velho”, descendente de fidalgos do tempo de D. Manuel. (...) João da Costa um dos paladinos da Revolução de 1640 que se bateu nas guerras que se seguiram à Independência, foi tenente-general, e em 1652, recebeu o título de 1º Conde de Soure. É a este primeiro Conde que se deve o topónimo.
No início do Século XVIII o Palácio dos Condes de Soure deixa de ser habitado por estes que se deslocam para outro Palácio na Penha de França. Desde 1733 começou a funcionar nele o teatro que funcionou até ao terramoto, que muito o arruinou. Em 1760, fizeram-se obras no edifício, tornando o teatro uma casa capaz de receber arte, a Casa da Ópera a cujos espectáculos assistiam D. José I, o Marquês de Pombal e dizem que os padres de S. Roque, escondidos por detrás das rótulas. Várias cantoras de bom nome passaram pelo Teatro do Bairro Alto, de que é exemplo Luiza Todi. A Ópera durou até 1771. No final do século XVIII a casa estava já em ruínas e mais tarde os terrenos começaram a ser aforados pelos Condes de Soure, exactamente quando começou a urbanização do sítio dos Moinhos de Vento".
(Norberto de Araújo, "Peregrinações em Lisboa" vol.VI)



Rua do Diário de Notícias:
"No quinhentista Bairro Alto de São Roque existiu uma Rua dos Calafates que o era pelo menos desde meados do século XVI. Devemos porém observar que até hoje ainda não encontrámos mencionado nos documentos que vimos, qualquer calafate dado como morador nesta rua. Parece assim poder-se concluir que os calafates que deram o nome à rua só teriam ali estado no começo da formação do Bairro Alto de S. Roque.
Do lado oriental da rua e fazendo esquina com a Travessa do Poço da Cidade, levantava-se um edifício que já ali estaria desde a formação do bairro. Em 1740 trabalha ali a Tipografia Universal, onde se produzia o «Jornal de Lisboa», o «Paiz, Progresso e Ordem», a «Crónica dos Teatros», o «Conservador» e o «Comércio de Lisboa». Neste local, Eduardo Coelho e Tomás Quintino Antunes fundaram o «Diário de Notícias», cujo primeiro número saíu a 29 de Dezembro de 1864."
(Luís Pastor de Macedo "Lisboa de Lés-a-Lés")
Em 1885, a Rua dos Calafates passou a chamar-se Rua do Diário de Notícias.




Colégio dos Catecúmenos
Foi fundado pelo Cardeal D. Henrique em 1579 "por causa de quatouze mouros, que vieram da Barbárie, movidos por Deus, a pedir o santo baptismo." O Colégio recolhia, doutrinava e convertia à fé católica indivíduos de outras religiões, que eram posteriormente baptizados na Igreja de São Roque.
Também aqui funcionou uma escola da arte de calafetar os navios, tarefa tão importante na época dos descobrimentos.
Reconstruído após o terramoto de 1755, o edifício é convertido em asilo de infância por D. Pedro IV.



Travessa da Espera:


Todo o Bairro Alto, na Travessa da Espera...



(à esquina da Espera, à espera...)

Travessa dos Fiéis de Deus:
Deriva o seu nome da existência no local de uma Capelinha dos Fiéis de Deus, dedicada às almas do Purgatório, levantada por um tal Afonso Braz em 1551. Esta ermida resistiu ao Terramoto.

Ermida dos Fiéis de Deus, 1551



edifício do séc. XVI





esquinas com a Rua da Rosa e a Rua da Barroca



Rua das Gáveas
"A Rua das Gáveas foi das primeiras a ser rasgadas na velha Herdade dos Andrades, no século XVI. Deverá o seu nome a qualquer particularidade ligada à vida do mar, pois foram os marítimos da Ribeira das Naus os primeiros a subirem da Boa Vista às terras dos Alteros." (Norberto de Araújo, "Peregrinações em Lisboa" vol.VI)









Travessa dos Inglesinhos:
Existe neste local o Colégio de São Paulo e São Pedro, também conhecido como "Colégio dos Inglesinhos". Foi erguido em terras doadas por D. Pedro Coutinho, entre 1632 e 1644. Danificado pelo terramoto de 1755, foi reconstruído com a traça actual.

Colégio dos Inglesinhos, 1632

edifício do séc. XVI com varandins primitivos


Alto do Longo:
"Pedro Francisco foi homem pobre que nasceu nos primeiros anos do século XVII, na freguesia de S. Vicente de Alcabideche, termo da vila de Cascais, casado com Vicência Rodrigues, sua patrícia. Destes foi filho António Francisco, que exerceu o ofício de sapateiro e veio a casar com Maria Luis, filha de pequenos lavradores daquele lugar.
Deste casamento vieram ao mundo dois filhos: um rapaz e uma rapariga, que se chamou Maria Luis como sua mãe e sua avó. Foi esta Maria Luis que casou nas Mercês (Lisboa) com João Francisco, ali nascido, baptizado e morador. Talvez pela sua desmedida estatura, davam a este João Francisco a alcunha de "O Longo". O termo adquiriu celebridade e ficou ligado ao local onde morava o João Francisco, ao alto da Rua Formosa.
O Alto do Longo, esse pesadelo dos munícipes, lá está ainda hoje, perpetuando há perto de 300 anos a memória deste João Francisco que foi o quarto avô materno de Alexandre Herculano."
(Norberto de Araújo, "Peregrinações de Lisboa", vol. VI)








Rua Luísa Todi:
Luísa Rosa de Aguiar (n.1753) foi uma cantora lírica que neste arruamento morou e aqui morreu em 1833, na casa com o antigo nº 2.
Estreou-se no Teatro do Bairro Alto em 1767 e casou em 28 de Julho de 1769 com Francisco Todi, natural de Nápoles, violinista na orquestra do mesmo teatro.
Depois de muitos aplausos pelos palcos da Europa, cega completamente em 1822 e em Junho de 1833 é acometida de um ataque apoplético, pelo que faz o seu testamento e morre a 1 de Outubro desse ano, ficando sepultada na Igreja da Encarnação.


Rua Luz Soriano:
Luz Soriano (1802-1891) foi historiador, adepto do Liberalismo e importante político colonial.
Um edital de 1887 dá à Rua do Carvalho outro nome: "Considerando a Câmara que a doação que lhe foi feita pelo cidadão Simão José da Luz Soriano, da verba de oito contos de réis e da propriedade de casas em que reside, na Rua do Carvalho, para a fundação e manutenção de uma Escola de Instrução Primária, constitui um valioso serviço prestado ao município; considerando que actos destes merecem imediato galardão para que sirvam de incitamento a presentes e vindouros; considerando que é dever da Câmara retribuir o generoso donativo de tão prestante cidadão com um acto que a todos recorde o seu nome philantropico; dá-se à Rua do Carvalho o novo nome de Rua Luz Soriano."

Hospital dos Franceses
O edifício foi provavelmente construído no séc. XVI por um judeu rico. No séc. XVII é habitado por D. Francisco Xavier de Meneses (Conde da Ericeira), que aí promove reuniões culturais e literárias. No início do séc. XIX instala-se no edifício o Geral do Cunhal das Bolas (estabelecimento de ensino secundário) onde foi aluno, entre 1810 e 1815, o poeta António Feliciano de Castilho. Em 1886 é vendido ao Governo Imperial Francês que aí instala o Asile de Saint Louis, mais tarde Hospital.
A última frase escrita por Fernando Pessoa,
na véspera do dia da sua morte no Hospital dos Franceses.














Travessa das Mercês:
Este topónimo faz referência à Igreja de Nossa Senhora das Mercês que no local viu iniciada a sua construção nos princípios do século XVI e concluída em 1632, mas o edifício foi quase totalmente destruído pelo terramoto de 1755. O templo actual é reconstrução de Joaquim Oliveira.

coscuvilhando o Palácio Perry de Linde (séc. XVII)


Rua dos Mouros:
Embora se possa presumir que esta via pública já existisse nos meados do século XVI, Cristóvão Rodrigues de Oliveira não a menciona, pelo menos com o nome que chegou até aos nossos dias. Este, no documento mais antigo que aparece, visto por nós, é num obituário de 1622. Os mouros que emprestaram o nome à artéria foram os ciganos que por lá moravam, e eram muitos, conforme se vê nos primeiros livros paroquiais da antiga freguesia do Loreto. (Luís Pastor de Macedo "Lisboa de Lés-a-Lés")




Rua do Norte:
A Rua do Norte foi fixada na memória de Lisboa em data que se desconhece, embora se possa presumir que seja do século XVI, altura em que foram arruadas as terras do sítio para constituir o Bairro Alto de São Roque. Cristóvão Rodrigues de Oliveira já refere a Rua do Norte na sua "Relação alfabética dos nomes das ruas, travessas, becos e outros postos". ("Sumário - Lisboa em 1551")
O topónimo propriamente dito é uma orientação geográfica, o que não será de estranhar num bairro que na época era muito habitado por marinheiros.












(séc. XVIII)













Rua Nova do Loureiro:

típica mansarda do séc. XIX

o "33"



Travessa do Poço da Cidade:
Quando em 1622 a Travessa do Poço da Cidade começa a ser citada nos livros paroquiais, davam-lhe a categoria de rua. É um dos mais antigos arruamentos do Bairro Alto. A fadista Severa morou com a sua mãe nesta Travessa (em 1844 ou 1845) e, de 1968 a 2005, teve nela sede o jornal «A Capital». (Luís Pastor de Macedo "Lisboa de Lés-a-Lés")

Em 1902, Júlio de Castilho sugere que o topónimo se devia a um poço público desta artéria, então já no interior de um prédio privado (nº 69-71), no que é secundado por Norberto Araújo que defende que existiam alguns poços públicos e particulares neste arruamento.


Travessa da Queimada:
Sobre a origem deste topónimo a explicação mais verosímil é a do olisipógrafo Vieira da Silva, que o atribuiu ao facto de em meados do séc. XVI uma certa Ana Queimada ter naquele local aforado um chão aos frades de S. Roque.
Este arruamento marcou também o limite da 1ª fase de urbanização da Vila Nova de Andrade, futuro Bairro Alto de São Roque, que decorreu de 1513 a 1518, partindo das Portas de Santa Catarina para poente e subindo até à Travessa da Queimada.



Palácio Rebelo Palhares séc. XVII (Jornal ''A Bola'')




Rua da Rosa:
A Rua da Rosa era chamada Rua das Rosas das Partilhas em 1597. É um topónimo que deve remontar aos inícios da Vila Nova de Andrade, cujo loteamento começou em 1513. A rua constitui a fronteira de uma urbanização de palácios e edifícios populares em coexistência desde o início do bairro, sendo os edifícios populares sempre virados a Leste e os Palácios ou edifícios com jardins sempre virados a Oeste.
A Rua Rosa das Partilhas terá funcionado como divisão de propriedade nas partilhas da família Andrade. Os bens de Miguel Leitão de Andrade compreendiam a zona entre a Rua da Rosa e a Rua Formosa (actual Rua d'"O Século") e em 1630 terminaram as propriedades da família Andrade no Bairro Alto de S. Roque.


a Rua da Rosa ao aproximar-se do Cunhal das Bolas











o Arco da Rua da Rosa, ao desembocar no Largo do Calhariz

Rua das Salgadeiras:
A Rua da Salgadeira (como se chamava no séc. XVI) passou a Travessa no séc. XVIII e assumiu o nome actual no início do séc. XIX. "A Rua do Norte, no seu começo, liga com a Rua da Atalaia pela Rua das Salgadeiras, serventia transversal, curta e inexpressiva, com um ou outro prédiozito a acusar Bairro Alto Antigo e um renque de barracões no lado Sul que assentam nas traseiras dos edifícios pós-Terramoto, com frente ao Camões." (Norberto de Araújo, “Peregrinações em Lisboa” vol. VI)








Rua de São Boaventura:
"Tomando pela estreita Calçada do Cabra desembocamos na tão sossegada Rua de São Boaventura. Aqui temos a fachada de um prédio digno de ver-se. É puro de feitio setecentista, mas anterior ao Terramoto, talvez mesmo do final do século XVII. Em 1746 já existia, mas transformado de melhor tempo, e entre tantas evoluções da fisionomia bairrista por aqui ficou, sem que os restauros lhe afrontassem sensivelmente as cans da primitiva construção. Este prédio pertence hoje, por herança, a António Maria Vieira. E aqui na Rua de São Boaventura pouco mais há que te apontar: duas lápides foreiras aos “Andradas” e o exterior, bem desenhado, de um prédio setecentista, com varandas de grades da época." (Norberto de Araújo, "Peregrinações em Lisboa" vol. VI)






Rua d'O Século:
A atribuição do topónimo "Rua d'O Século" pela vereação republicana pretendeu homenagear o jornal fundado em 1881 por Magalhães Lima (que foi o seu primeiro director e um ardente paladino republicano), considerando que a sua propaganda tinha contribuído para a democratização do povo português e a consequente implantação da República em Portugal.
Até aí, esta artéria era conhecida por Rua Formosa, que era uma denominação do séc. XVIII que acabou por ser legalizada em 1859. Ainda antes, o arruamento era conhecido como Rua do Longo, pelo facto de ali ter morado na segunda metade do séc. XVII um homem de seu apelido "Longo", que faleceu em 1669. Era tetravô de Alexandre Herculano e deu também nome ao Alto do Longo, no cimo da Rua d'O Século.

Palácio Ratton, 1800 (Tribunal Constitucional)
Convento dos Cardaes (neste blogue)

Palácio dos Viscondes de Lançada, séc XVII »»» Jornal "O Século


Chafariz da Rua Formosa, 1760 (arq. Carlos Mardel)



Conduta do Aqueduto das Águas Livres para o Palácio do Marquês de Pombal

Palácio dos Monteiro Paim, ou do "Bichinho de Conta"
Isabel Juliana de Sousa Coutinho Monteiro Paim (1753-1793) morava neste palácio. Era amiga desde pequena de Alexandre de Sousa Holstein e nunca duvidaram, que um dia, seriam marido e mulher. O Marquês de Pombal achou porém que Isabel daria a esposa ideal para seu segundo filho e propôs o casamento, ao qual o pai da noiva não viu qualquer inconveniente. Isabel resistiu e chegou mesmo a dizer "que nunca casaria com outro que não o seu amigo de infância Alexandre", mas o omnipotente Marquês teimou e o matrimónio realizou-se a 11 de Abril de 1768.

Isabel iria fazer frente ao noivo, pai e tias e ainda ao aterrador Marquês que no início pensou tratar-se de um capricho de menina rica mas com o tempo percebeu que o assunto era sério. Isabel mandou fazer um saco com dois lençóis atados bem junto ao pescoço, onde dormia para que o noivo nem tivesse a pretensão de tentar tocar-lhe. E por isso, o Marquês era motivo de troça no Paço. Furioso terá mesmo dito, referindo-se àquela que se recusava ser sua nora. "É um bichinho de conta que me quer deter os passos".












Travessa da Conceição @ Rua d'O Século
Travessa André Valente @ Rua d'O Século. Casa onde morreu Bocage (porta primitiva medieval)
Rua d'O Século x Travessa dos Fiéis de Deus (lápide na antiga Capela dos Carvalhos)
Rua d'O Século" x Calçada do Tijolo

Rua do Teixeira:
É um arruamento antigo, da segunda fase de urbanização do Bairro Alto ocorrida em 1650. É provável que tenha origem no nome de algum morador ou proprietário do local.



chaminés pombalinas

A outrora excelente e agora defunta Adega do Teixeira

Calçada do Tijolo:

"No tempo do Livro das Grandezas de Lisboa (1620) havia na cidade 40 calçadores de calçadas. Ocupavam-se estes da calcetagem granítica ou tratavam também do pavez de tijolo. Contavam-se então em Lisboa 16 fornos de tijolo e telha. Como quer que seja, o pavez de tijolo ou ladrilho viveu em Lisboa séculos a par do rude pavez granítico."
(Gomes de Brito, "Ruas de Lisboa: Notas para a História das Vias Públicas Lisbonenses", 1935)










Rua da Vinha:

A rua tem este nome desde o séc. XVIII, provavelmente devido a uma vinha situada no local. "Tem ainda os casebres pitorescos de setecentos e um ar popular e nobre a um tempo. De um lado podem notar-se dois fortes cunhais coroados de capitéis rasos, que indicam a existência local de um grande prédio ou palácio caído pelo Terramoto e não mais construído." (Norberto de Araújo, "Peregrinações de Lisboa", vol. VI)


moldura de porta, séc. XVIII

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